Seu campo de trabalho é o das artes visuais. Artista gráfico, formado pelo Centro de Comunicação, Design e Tecnologia Gráfica em Belo Horizonte, atua nas Artes gráficas transitando pelas artes plásticas e pelo audiovisual. Aprecia o desafio de buscar a força poética na imagem em movimento. Seu estilo de produção utiliza de inúmeras técnicas e suportes, como a manipulação digital de imagens e a gravação em baixa resolução e fidelidade. Tem vídeos autorais e trabalhou também em filmes de outros diretores como, Dellani Lima e Carlos Magno Rodrigues.  Integra o Ateliê audiovisual Laboratório Filmes.

MAIS O burburinho da juventude movimentou a turma do garoto Davi Fuzari. Foi lá pelos 17, 18 anos que ele sentiu aquele poder jovem que costuma nos dar forças para liberar a criatividade e a ousadia. Uma antiga namorada estudava no Cefet, em Belo Horizonte, e os amigos dela, que se tornaram amigos de Davi, se amarravam em música e teatro. Davi e a nova turma decidiram montar o “Quem não tem cão caça com ácido”, grupo de teatro.  Ele era costureiro (ofício que aprendeu com a mãe), pintava rostos e papéis e vestia o personagem Romulito, um palhaço que fazia suas gracinhas em projetos sociais. Simultaneamente tocava baixo em uma banda.

 

Na hora de escolher a profissão, alguns amigos optaram pela música, outros foram se aperfeiçoar no teatro ou no cinema. Davi, que tinha feito o curso de design, começou a trabalhar como freelancer na área. Ao mesmo tempo, sempre estava com uma câmera na mão filmando os amigos e o que lhe inspirasse à sua volta. Desde então se interessou por videoarte, especialmente pela montagem.  Aprendeu a operar a câmera aos 14 anos, convidado pelo cineasta Carlos Magno Rodrigues a gravar cenas para o making off do filme Igreja  Revolucionária dos Corações Amargurados (Igrevi). Ele e a equipe ficaram dois dias no bairro Alto Vera Cruz, em Belo Horizonte, divulgando uma suposta igreja que, em vez de cobrar dízimo dos fieis, pagava-o a eles.

 

Quatro anos trabalhando na diagramação do jornal O Tempo também deram a Davi experiência e noções de uso de ferramentas de edição.  Uma ideia fixa, no entanto, persistia: Davi queria mergulhar no trabalho de vídeo. Sabia que existia uma demanda para seus trabalhos, pois tinha notícia, por meio dos amigos artistas, do que estava ocorrendo. Na faculdade de cinema ( iniciada e não concluída, assim como os cursos de filosofia, design gráfico e direito ), ele conheceu Henrique Bocelli e Marco Gonçalves  JR. seus

 

primeiros comparsas para as produções que iniciaria no Laboratório Filmes. Juntos, arregaçaram as mangas e foram à caça de atividades. “Começamos filmando shows e fazendo trabalhos que as bandas precisavam, como sites. E aquilo que começou lá na adolescência como amigos juntos se amando e fazendo arte se manteve de certa maneira porque a gente continua trabalhando com arte.”O Laboratório Filmes tem três anos.  

 

Nos primeiros dois, a sala da casa do Davi era a sede, hoje eles têm uma sala no bairro Floresta. “O nome tem a ver com o sentido de labor mesmo. Vamos aprendendo a cada processo e aplicando, criando formas narrativas que podem dar certo ou não. Não conseguimos manter um padrão e penso que isso é bom porque tira a gente do ‘em série’ demais.” A abertura faz surgir propostas novas, como a que eles viveram no processo de construção do espetáculo Zucco, resultado do Oficinão Galpão Cine Horto em 2011. Davi e Marco Gonçalves montaram pílulas de vídeo que dialogavam com o espetáculo e eram inseridas na hora da encenação, uma experiência que eles aprimoraram e se repete nas apresentações do Abrapalavra.

 

CAMINHOS A nova aposta de Davi no Laboratório Filmes é uma espécie de TV paralela. Ele e a equipe vêm pesquisando formatos e programas para concretizar o projeto de fazer uma programação diferente do que se vê na televisão comercial. Seria algo próximo de micro documentários, muitos sobre cultura. “A era tecnológica permite acesso a muita coisa. Não nego as câmeras e recursos modernos, mas como linha estética gosto do vídeo sujo, da ideia de poder usar câmeras de baixa qualidade se o conteúdo for bom e a edição diferente.”

 

Davi é parceiro do Abrapalavra em todos os projetos audiovisuais e nas pesquisas de linguagem para orquestrar as intervenções cênicas com a narração de histórias e a música.